quarta-feira, 10 de julho de 2013

Resenha de Stone Gossard - Moonlander


Stone Gossard é um guitarrista e compositor bastante prestigiado no meio musical, sobretudo e especialmente, pelo seu papel na banda Pearl Jam, compondo eternos clássicos da banda, como “Alive”, “Black”, “Do The Evolution” e inúmeras outras. Mas engana-se quem pensa que Stone ficou limitado ao seu trabalho em Pearl Jam. Stone coleciona em sua carreira algumas aventuras musicais, como os projetos paralelos Bayleaf, de 2001 e alguns álbuns de estúdio com a banda paralela Brad (alguns bem interessantes, como Interiors, de 1997 e Welcome to Discovery Park, de 2002), para a qual Stone se volta ocasionalmente para relaxar e fazer música com um outro grupo de amigos. No entanto, nenhum desses projetos é tão aventureiro e, por isso mesmo, empolgante e inesperado, como o seu novo trabalho solo, intitulado Moonlander. Antes de mergulhar no disco, vamos primeiro falar sobre o processo de criação dele.

Stone Gossard, antes de guitarrista, é um compositor e ele certamente não só escrevia aquelas faixas que transpareciam nos trabalhos de Pearl Jam e Brad. A ideia de Moonlander começou quando Stone foi procurar algumas demos inacabadas para ver se tinha algo que ainda o empolgava. Então, de mais de cinquenta demos que ficaram perdidas e encostadas no decorrer de mais de dez anos, Stone escolheu as onze que achou melhor para trabalhar, finalizá-las e juntá-las num disco. Moonlander é, então, o resultado dessa compilação e tem realmente esse clima de compilação: músicas desconectadas entre si, algo como se desse para perceber que não é um álbum pensado diretamente assim, é apenas um bocado de músicas juntas. Esse fator acaba chamando atenção para outra coisa mais importante ainda: Stone Gossard é ainda melhor compositor do que suas canções deixavam transparecer nos seus principais trabalhos em Pearl Jam e Brad. A variedade encontrada em Moonlander é riquíssima e tudo vinda de um único compositor e executor, já que foi Stone que praticamente tocou, gravou, cantou, mixou e fez tudo, inclusive a arte, inspirado nas pinturas de sua filha de seis anos, com um senso de liberdade das regras convencionais.



O disco mostra faces artísticas e estilísticas que mesmo os fãs de Pearl Jam, Brad e do próprio Stone não conheciam. E são essas as melhores fatias de Moonlander. “I Need Some Different” traduz praticamente o que será encontrado no disco. A música que abre o disco é com um riff muito poderoso, bem agressiva e que, mais arrumada, poderia ser uma música de Pearl Jam. Mas o que chama muita atenção, embora tenha um papel relativamente pequeno na música, são os efeitos especiais, teclados, sintetizadores espaciais. “Moonlander”, por sua vez, tem um ritmo bastante interessante, quebrado e novamente com arranjos bem interessantes e diferentes do que se espera diante os trabalhos anteriores de Stone Gossard. Em determinado momento, no final da música, até lembra alguns efeitos de “Space Oddity”, de David Bowie.





Mas são as duas faixas seguintes que levam o disco Moonlander para um outro nível, tanto de superar expectativas quanto pela qualidade da composição. “Both Live”, desde o primeiro segundo, impressiona e vai crescendo enquanto a música vai correndo, mostrando até um trabalho vocal bem interessante de Stone, um folk rápido acompanhado no piano e no violão. Muito, muito bom. Para provar que estamos entrando em território inexplorado, em “Your Flames”, Stone Gossard, grande guitarrista de Pearl Jam, deixa o violão para segundo plano e adiciona um piano nessa balada belíssima.




Depois dessas duas músicas, o que vier mais já é considerado lucro. E, embora tenha algumas músicas um pouco mais fracas, ainda tem espaço para algumas surpresas e faixas divertidas, como é o caso de “King of The Junkies”, com saxofones,“I Don’t Want to Go to Bed” (inspirada no trabalho que deve ser para colocar na cama sua filhinha?).

Moonlander gera um resultado inesperado no ouvinte, principalmente se este já acompanha a longa e bem sucedida carreira do guitarrista Stone Gossard. O resultado pode ser bem diferente, no entanto, para um leigo, que não sabe quem Stone Gossard é. Mas, sinceramente, desconfio que alguém percorra esse caminho sem conhecer a história de Stone, a qual, com certeza, ficou ainda mais interessante depois de Moonlander.


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